15 de outubro de 2012

ROMAGEM À NOSSA SENHORA DE VAGOS


Organizada pela ADIG, realizou-se no dia 14 de Outubro a romagem ciclista à Senhora de Vagos. O tempo não ajudou e, por isso, só meia dúzia de ciclistas mais afoitos se deslocaram ao Santuário. Os restantes peregrinos viajaram de carro, ficando a capela muito composta. Ao todo deveriam estar 30 pessoas.
O acolhimento do público foi caloroso, se tivermos em conta as palmas que bateram mesmo a meio de um cântico e pelos parabéns dados no final da actuação.

Prevíamos ficar para almoçar nas mesas do Santuário mas a chuva não o permitiu. Fica para o ano.
Seguem-se o texto e o poema lidos na capela.

Pelo segundo ano consecutivo, aqui viemos ao encontro da fonte das nossas raízes. Daqui saíram, há mais de dois séculos, alguns dos nossos antepassados. Essa gente de rija têmpera, que foi em busca de melhor vida, em momentos de maior aflição unia-se em preces fervorosas à Nossa Senhora de Vagos e assim encontrava o lenitivo para as suas maiores canseiras, que muitas eram noutros tempos. Mesmo vivendo por lá, até certa altura aqui se casavam, aqui baptizavam os seus filhos e aqui eram enterrados. Por aí vinham, alguns pelo “carreiro do meio”, outros pelas dunas palustres, desabrigadas, ou em barcos pelo Rio Boco acima. Assim foi até 31 de Dezembro de 1853.

Toda essa gente, destemida, sempre com muita freima, soube transformar dunas estéreis em terrenos de pão, o que na altura ficou conhecido por “Milagre da Gafanha”.

É em nome daqueles que há muito nos deixaram que aqui viemos em romagem como em tempos pretéritos faziam, a pé, de alcofa à cabeça, os nossos familiares.
Muito obrigado, Senhora de Vagos, por todo o consolo que lhes deste.

A nossa actuação começa com um poema de Ercília Amador, sob o título “As Mãos da Nossa Gente”, que retrata bem o viver de outros tempos.

Depois deste belo poema, lido por Cristina Araújo, continuaremos a nossa actuação com a guitarrada “Variações em Ré Menor”, de Jorge Tuna, e três fados de Coimbra. O primeiro, da autoria de Luis Goes, intitula-se “Rezas à Noite” e é interpretado por mim. Em seguida, ouviremos “Igreja de Santa Cruz”, cantado por Nelson Calção. Para finalizar, o Rogério Fernandes cantará o fado secular “Nossa Senhora de Vagos”, de Armando d’Eça. 

A encerrar esta parte musical da manhã, actuará o Grupo Coral da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, cantando três canções: “Saudade”, do cancioneiro açoriano; “Bairro Negro”, de José Afonso; e “Milhões de Barcos”, música de Cartagena e letra de Manuel da Fonseca. 

Assim, em união espiritual com os nossos antepassados, e sob a protecção da Senhora de Vagos, comecemos a nossa actuação musical.

AS MÃOS DA NOSSA GENTE

Sem descanso ou interrupção,
Da praia fizeram chão.

Provaram do mar o sal,
Da ria o travo e o moliço.

Leiras de terra cavaram.
Cricos e navalhas colheram.

Barcos e casas ergueram
E todos se ajudaram.

Caminhos árduos rasgaram,
E no mar muito forcejaram.

Angústias e dores sofreram,
Feridas e mortes aguentaram.

Penaram...maus tratos passaram,
Mas parar...nunca pararam.

       E a nossa terra moldaram!

São mãos que cavam,
Que colhem e que semeiam.

Mãos que pescam e que remam,
Que bordam e que ponteiam.

Mãos que enfardam, que volteiam,
Que amassam, cozem e salteiam.

Mãos que conduzem a traineira,
Ou que calafetam a bateira.


Mãos que pintam, bordam e costuram,
Que tecem, bordejam, colhem e forcejam.

Mãos que acariciam os filhos,
Que avançam com seus cadilhos.

Mãos que conduzem, ensinam e amparam,
Que acenam, consolam e afagam.

Mãos que comandam a lida.
Mãos que modelam a vida.

Mãos enrugadas, calejadas,
Batalhadoras e magoadas,

Algumas jovens, sonhadoras...
Outras cansadas, sofredoras.

São as infatigáveis obreiras,
Os pilares do nosso chão.

São as mãos da nossa gente,
O milagre da criação.
     
                 Ercília Amador

10 de outubro de 2012

Romaria ciclista à Senhora de Vagos

Domingo, 14 de Outubro, a ADIG vai organizar uma romaria ciclista à Senhora de Vagos, retornando às nossas raízes. A saída é feita do Centro Cultural pelas 9H30. Haverá carro-vassoura e a viagem também pode ser feita de automóvel.

Já no Santuário de Vagos, actuará, na capela, o Grupo Portas de Água, de fados de Coimbra, e o Coral da Escola Secundária da Gafanha da Nazaré.

Quem levar farnel, poderá continuar a conviver nas mesas do Santuário. Pela tarde actuará os Grupo de Cavaquinhos da Universidade Sénior, para além de outros cânticos interpretados pelos artistas presentes. Também se jogará ao pião, aos calarotes, ao ringue, etc., etc.

O regresso está previsto para as 17H00, sendo indicado onde passará a ser o limite de freguesia na estrada de Ílhavo à Gafanha.

Quem estiver interessado em participar neste convívio, faça o por favor de fazer a sua inscrição através do nosso e-mail: adi.gafanha@gmail.com.

Jantar comemorativo dos 20 anos da ADIG

Sábado, 13 de Outubro, pelas 20H30, a ADIG vai realizar no Restaurante Clássico o seu jantar comemorativo dos 20 anos de existência.
A refeição custa 12€ e é composta por sopa, um prato de peixe (bacalhau à Clássico) ou um prato de carne, à escolha (vitela, chanfana ou grelhados mistos), bebidas, sobremesa e café.

Quem estiver interessado em participar neste convívio, por favor faça a sua inscrição através do nosso e-mail: adi.gafanha@gmail.com, indicando o prato preferido.

8 de outubro de 2012

LIMITES DE FREGUESIA

É tempo de enterramos esta questão dos “Limite de Freguesia da Gafanha da Nazaré”. Sobre este assunto, e de forma resumida, temos a dizer o seguinte:

• Em 1911, foram fixados os limites da nossa freguesia, através do “Auto de Delimitação”;
• Em 1981, no Gabinete de Urbanização da CMI, é projectado um traçado que visava furtar-nos 2Km na “estrada de Ílhavo à Gafanha” e entre a Barra e a Costa Nova (projecto CMI GU 810407 AM – DT 57);
• Ainda em 1981, um movimento autodenominado “Comissão de Colonos e Moradores da Colónia Agrícola da Gafanha”, solicita à Assembleia da República a alteração dos “Limites da Gafanha da Nazaré”, sendo o ofício assinado pelo “regedor da freguesia”, cargo extinto por Lei há sete anos (1974);
• Entre 1981 e 1983, diz-se que alguém que trabalhava no Instituto Geográfico Português (IGP, no tempo Serviço Geográfico Cadastral), colocou nas cartas destes serviços os limites projectados na carta CMI GU 810407 AM – DT 57. Não se contentando com esta tramóia, ainda fez desaparecer todos os elementos escritos existentes nestes serviços sobre a nossa freguesia – um verdadeiro caso de polícia. A partir daqui, os Censos relativos à Gafanha da Nazaré passaram a ser feitos por esta falsa delimitação;
• Em 2001, a CMI admite uma vez mais como válida esta delimitação fraudulenta e o IGP fixa nas suas cartas estes limites dando-lhe o cunho de “provisórios” (por não terem sido aprovados pelo governo, com posterior publicação no Diário da República);
• Em 2010, a autarquia volta a desrespeitar a Lei, ao admitir como válidos uns limites que oficialmente nunca existiram, tentando mesmo, segundo se ouve para aí dizer, torná-los oficiais nas costas dos gafanhões;
• Em 2012, o executivo camarário, desrespeitando mais uma vez as Leis democraticamente instituídas, impõe os limites para a nossa terra! Nem a votação da Assembleia de Freguesia tinha carácter vinculativo! Isto é, quem votou foi tratado por palhaço. E, estranhamente, a maioria representativa da nossa Assembleia de Freguesia, ainda por cima em frente à população, aceitou mansamente o que nos estava a ser ditatorialmente imposto!!! E assim se verificou que os maiores inimigos da Gafanha foram alguns gafanhões que acabaram por trair a sua terra e a população que, pelo voto, neles confiou!!!

Relativamente ao que nos foi imposto, a ADIG pensa que os limites entre a Barra e a Costa Nova respeitam a vontade dos nossos antepassados. Na zona do Complexo Desportivo aceitam-se, com algumas reticências. Na “estrada de Ílhavo à Gafanha” fomos visivelmente prejudicados. Os limites deveriam ser pela rotunda da SIMRIA e não pelo segundo aceiro da Colónia. Não se aceita que o complexo religioso e social Mãe do Redentor, PAGO PELOS HABITANTES DA GAFANHA DA NAZARÉ, tenha ficado de fora, quanto mais não fosse por respeito ao trabalho do Padre José Fidalgo. Por lá ficou o sino e o relógio, oferecidos à nossa igreja paroquial por Manuel Carlos Anastácio e Sebastião Lopes Conde no primeiro quartel do século passado?!

Sob a capa do rigor, o executivo camarário impôs uma delimitação que não respeita a História desta terra, nem os documentos oficiais existentes, voluntariamente ignorados em público por Ribau Esteves, que não se coibiu de, lá para os lados onde mora, fazer certos acertos que resultaram num traçado que mais parece um rendilhado de bilros, na mira de satisfazer certos interesses. Assim não, senhor Presidente...

Porém, este problema não se esgota aqui! Vamos ver quando são colocadas as placas indicativas do início da nossa terra, quando se substituem as placas verdes, indicativas dos arruamentos, que nada têm a ver connosco, e, ainda mais importante, quando são corrigidos nos Correios, no Cartório Notarial, Finanças, nos Censos, etc., etc., o local das residências dos nossos concidadãos, abusivamente atirados para outras freguesias, pelo descaramento de quem nos governa. 

Passar-se uma coisa destas, num país a sério...

27 de setembro de 2012

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA (Limites Administrativos da Gafanha da Nazaré)


Eis-nos chegados a um acto de grande responsabilidade, que consiste em definir, oficialmente, onde se fixarão os limites administrativos da nossa freguesia. Este processo, quando era preciso andar a alta velocidade, andou a passo lento de caracol. Agora é-nos apresentado, quase como facto consumado, para ser votado a toda a pressa! Mesmo o próprio presidente da Junta, que ainda na última Assembleia de Freguesia nos disse que nada era tratado sem primeiro dar conhecimento à população, vê-se agora ultrapassado por uma medida injusta que o deixa refém da sua palavra.

O que a CMI nos propõe, é aceitarmos, de bom grado, uma freguesia amputada de algumas zonas há um século consagradas à Gafanha da Nazaré pelo “Auto de Delimitação da Freguesia”. Por que razão este documento oficial foi ignorado pela autarquia?!

Todos sabemos que o documento que hoje vai a votação há muito anda a ser concebido pela CMI e seus pares. A Câmara, por querer saborear as suas glórias sozinha, trabalhou na sombra durante largos meses. Agora tudo faz para que não tenhamos tempo para raciocinar como deve ser sobre este tão delicado assunto.

Perguntamos: quantos dos colegas que aqui estão hoje, na bancada do seu partido, para decidir os nossos destinos, tiveram tempo de ir ao local verificar o que nos está a ser proposto? Quem ainda não o fez, quando chegar à altura de se pronunciar, estará em condições para votar em consciência, ou sentir-se-á um vendido a outros interesses que não são os da terra que nos acolhe? Já ouvi dizer: “então, que se há-de fazer?! Temos de aceitar o que nos está a ser proposto. Caso contrário, nem daqui a trinta anos este assunto estará resolvido!!!” Quem assim pensa, desculpem, não será a pessoa mais indicada para aqui estar! Este é um assunto muito sério para ser tratado com tanta ligeireza.

O povo da Gafanha da Nazaré, que acreditou em nós para a defesa dos seus interesses, não se sentirá defraudo por aceitarmos apenas um quinhão da parcela que por direito próprio nos pertence? E, se possível for assim acontecer, como se sentirão os nossos antepassados, aqui presentes em espírito, se não soubermos defender, com denodo, o legado que eles com tanto amor e tantas canseiras nos deixaram! Pelos menos, saibamos ser dignos da sua memória...

Depois deste preâmbulo, passemos a analisar o documento de trabalho posto à nossa consideração para delimitação da freguesia, que, diga-se, contém aspectos muito positivos. Concordamos com o traçado entre a Barra e a Costa Nova (antes da curva da Biarritz).

Verifica-se, com agrado, a manutenção na nossa freguesia do Santuário de Schoenstatt e do Complexo Desportivo do GDG, contrariando o que erroneamente tinha sido colocado nos mapas do IGP e CAOP. Porém, o traçado apresentado pela autarquia para esta zona é um verdadeiro labirinto, por não respeitar a rede viária existente, ziguezagueando, por entre os pinheiros, para além da carta não referir os nós de viragem com coordenadas GPS, o que indicia que quem fez este estudo não foi lá muito feliz.

Do lado sul-nascente é que temos o grande problema! Todos se lembram dos sucessivos recuos da placa indicativa dos nossos limites: primeiro na rotunda da SIMRIA; depois pelo acampamento dos ciganos; e mais tarde um pouco a sul da Casa da Remêlha, isto é, sempre a cortar para o mesmo lado. Nós propomos que os limites do lado da Remêlha partam do extremo nascente da rua Eng.º Vasco Leónidas (junto à rotunda da SIMRIA) e seguir, sempre em recta, até encontrar a Circular das Bichaneiras, no nó 6.

Se os limites que nos estão a ser apresentados vierem a ser aprovados, sentimo-nos vilipendiados, por a nossa área inicial rondar os 20Km2, querendo agora a CMI atribuir-nos, apenas, 16,44Km2. Porquê?! Com a alteração que propomos, passaríamos a ter 17,64Km2, ainda longe da área inicial, com a vantagem de preservarmos o Centro de Recursos Mãe do Redentor, pertencente ao Centro Social e Paroquial da Gafanha da Nazaré. Por certo, esta seria uma boa prenda para os Gafanhões e para o Padre José Fidalgo.

Pelo que se sabe, a CMI propõe-nos uns limites inegociáveis, mas em democracia as coisas não funcionam assim! Quem tem o direito de decidir os nossos destinos são os Gafanhões. O que nos estão a tentar fazer é um acto reprovável nesta sociedade que se diz democrática. E mais, se esta Assembleia de Freguesia não é vinculativa, segundo o parecer da CMI, o que estamos nós todos aqui a fazer? Esta lei, venha ela de onde vier, está a fazer de nós simples palhaços e nós não admitimos palhaçadas destas.

Mesmo com as leis todas contra a nossa vontade, compete-nos pelos meios legais postos à nossa disposição, defender com unhas e dentes os interesses dos Gafanhões.

Dado haver ainda algumas imprecisões no documento que nos foi apresentado para estudo, propomos que a votação deste assunto seja adiada por oito dias, para que, conjuntamente, os membros dos três partidos com assento nesta Assembleia de Freguesia, façam, no local, um estudo aprofundado ao que nos está a ser proposto. Só assim poderemos votar com a consciência do dever cumprido. Não pedimos que se chumbe ou aprove este projecto. Pedimos, sim, que nos dêem mais uma semana para podermos decidir, com consciência, o que é melhor para a nossa Terra. Dizemos mais: se as coisas, um dia, vierem a correr para o torto, quem nos governa sacudirá a água do capote, dizendo: foi votado na Assembleia de Freguesia. E aí, os maus da fita, seremos nós.

Senhora Presidente desta Assembleia, por amor de Deus lhe rogo, faça fazer valer a nossa força, e não nos venha com a desculpa já gasta de que o nosso pedido é inviável, por amanhã haver Assembleia Municipal! E que culpa tivemos nós das coisas nos chegarem tão tarde às mãos? Sendo a estrutura camarária altamente profissionalizada, para além de tão bem remunerada, por que se teria atrasado tanto?

Por tal motivo, se aceitarmos, às cegas, a proposta da CMI, para além de não ser de bom tom, consideramos um acto de prepotência que só será aceite por aqueles que não amem, como deve ser, a sua Terra...

Viva a Gafanha da Nazaré, “feita pelos nossos avós...”.

Gafanha da Nazaré, 26 de Setembro de 2012
Júlio Cirino da Rocha (Membro do PS)

20 de agosto de 2012

Corrida Mais Louca da Ria

A ADIG participou com uma embarcação na "Corrida Mais Louca da Ria", realizada no dia 18 de Agosto, no Jardim Oudinot da Gafanha da Nazaré, integrada no "Festival do Bacalhau Ílhavo 2012".

16 de agosto de 2012

Corrida Mais Louca da Ria

No próximo sábado, pelas 15H30, integrada no "Festival do Bacalhau", vai realizar-se, no Jardim Oudinot, a "Corrida Mais Louca da Ria".
 
Venha apoiar a embarcação da ADIG, cuja tripulação já se encontra em estágio para fazer boa figura neste importante evento lúdico.
 
Traga a sua família. 
APAREÇA

14 de agosto de 2012

Pião no Festival do Bacalhau

No próximo fim-de-semana, dias 18 e 19 (sábado e domingo), pelas 15H00, englobado no Festival do Bacalhau, a ADIG vai realizar dois torneios de pião, destinados a quem queira divertir-se.
 
Encontramo-nos junto às duas barraquinhas de prova de vinhos, e jogaremos nesse largo. Tragam pião e guita, e venham relembrar o tempo da nossa meninice. Quem tiver camisola da ADIG, é favor levá-la.

30 de julho de 2012

CURIOSIDADES SOBRE A PRAIA DA BARRA

Há dias, em amena cavaqueira sobre os limites da Gafanha da Nazaré, assunto tão “badalado” ultimamente, surgiu a questão: “Afinal onde começa a (localidade) Barra?”. Ao que se fala, parece que começa em local móvel porque muda conforme convém e… ao povo nada é dito. Muitos se lembrarão que a placa de indicação da Barra se situava (mais ou menos) perto do palheiro de José Estêvão. Entretanto foi encurtando, encurtando e presentemente, segundo pesquisas de gente interessada, começa onde está situado o único Banco da Praia. Ora bem, qualquer dia, quando dermos por ela, a Barra é apenas e só a “entrada estreita de um porto” com um farol… por sinal, o melhor e mais bonito.

Dado que vivi meio século da minha existência na Praia da Barra, (os meus pais para construírem a casa onde sempre vivemos ainda tiveram que cortar alguns pinheiros da quinta do Quintino) lembro como esta (praia) era famosa, procurada e muito, muito frequentada (gente nacional e internacional), tanto para lazer como por indicação médica. Ultimamente tenho sentido como que uma minimização desta Praia dando-se grande destaque e relevo a outras com investimentos de grande vulto, publicidade etc. em detrimento da Praia da Barra. Sou a favor do progresso, do investimento, mas de forma equilibrada. Não é necessário “reduzir” esta, afinal tão antiga, para evidenciar outras. Pelo contrário, deve-se respeitar a tradição, conservar/rentabilizar o que sempre foi bom e apostar na generalidade dos melhoramentos. Tanto a praia Velha como a praia Nova na Barra, valem por si só.

Foi neste contexto, e “as palavras são como as cerejas” que recuámos ao tempo em que a Barra era toda ela, uma enorme quinta pertença do Comandante Azevedo e Silva. Ao ser hipotecada (contam os mais antigos) ficou a pertencer a Carlos Roeder o homem dos Estaleiros de S. Jacinto. Muitos destes terrenos foram vendidos a 25 tostões o metro, aos trabalhadores dos Estaleiros, sendo-lhes descontado aos poucos no salário. Portanto a quinta do Quintino (este senhor seria como que o procurador ou representante legal do Comandante), era apenas uma parte da então enorme quinta, hoje toda ocupada com construções habitacionais e outras. Resta o pinhal que é atualmente o conhecidíssimo, parque de campismo. 

Há ainda outras e são muitas curiosidades… sobre a construção dos carris na Barra para transportar a pedra nos comboios, para as “Obras da Barra - Molho Sul”; sobre as duas secas do bacalhau, Lutador e Coimbra; a Fábrica de Conserva de Peixe; o edifício da Assembleia onde se reuniam importantes personagens do Estado Novo, sendo o rés-do-chão ocupado para o funcionamento do 1º ciclo (escola primária) …enfim, a Praia da Barra tem uma história riquíssima, por tudo isto não pode, nem deve ser olhada de uma forma redutora, minimalista, mas sim, olhada pela sua grandiosidade, por aquilo que sempre foi e é. Defina-se de uma vez por todas onde começa e onde acaba e disso, dê-se conhecimento. Como em tudo na vida, há que estabelecer limites para uma melhor organização. 

Entretanto…É linda a Praia da Barra! O seu majestoso e imponente Farol “ilumina” tudo em redor!!!

Graça Oliveira

20 de julho de 2012

Sessão de esclarecimento sobre os limites da Freguesia da Gafanha da Nazaré

Esta Sessão de Esclarecimento ocorreu no Salão Nobre da Junta de Freguesia, no dia 18 de Julho de 2012. Foi um Sessão muito concorrida, na qual estiveram presentes 117 concidadãos.

O presidente da ADIG começou por explicar, o que ocorreu com os limites de freguesia entre 1911 e 2011. Das suas palavras salienta-se o seguinte:

1) A única freguesia do concelho que tem aprovado um “Auto de Delimitação” é a da Gafanha da Nazaré. Este documento, datado de 1911, é da autoria da CMI e foi aprovado pelo Governo Civil de Aveiro.

2) Em 1947 foi criada uma comissão, liderada pelo Mestre Manuel Maria Mónica, visando passar a nossa freguesia para o concelho de Aveiro, por a CMI não estar a respeitar os gafanhões. Houve mesmo uma manifestação de centenas de pessoas em frente ao Governo Civil de Aveiro.

3) Em 1956, o Sr. Bispo de Aveiro, respondendo a uma petição feita pelos párocos de S. Salvador, Nazaré e Encarnação, que solicitavam que a capela de Santo Isidro passasse a ser gerida pela paróquia de S. Salvador, despachou do seguinte modo: “não havendo motivos de interesse ou sentimentos locais que possam obstar à realização do intento, a Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré, como ela se encontra constituída, ficará pertencendo, desta data em diante, à freguesia de Ílhavo”. Muito provavelmente o Sr. Bispo quereria dizer “ficará pertencendo à paróquia de S. Salvador, de Ílhavo”.
   
4) Em 1969, quando a Gafanha da Nazaré subiu a vila, foi elaborado um mapa de limites que, por não ter saído no Diário do Governo, não é acolhido com bons olhos pelos autarcas contemporâneos, apesar de toda essa documentação permanecer nos arquivos da CMI!

5) Em 1981, a CMI elaborou no seu Gabinete de Urbanização uma carta (CMI GU 810407 AM – DT 57) com novas delimitações, tencionando trazer os limites da Gafanha da Nazaré, na Remêlha, para o local onde até Janeiro de 2011 esteve uma placa esverdeada, do BPA. Entre a Barra e a Costa Nova, os limites transitariam da curva da Biarritz para próximo do Banco Montepio, da Barra!!!

6) Ainda em 1981, como a CMI não podia fazer seguir este documento por falta das assinaturas dos membros da Junta e Assembleia de Freguesia da Gafanha da Nazaré, um grupo de falsários, autodenominados “Comissão de Colonos e Moradores da Colónia Agrícola da Gafanha”, deu entrada no Governo Civil de um ofício, pedindo a revisão dos nossos limites de freguesia! E, coisa estranha (!), este documento, assinado por um falso regedor de freguesia – cargo extinto há sete anos – em representação de uma “comissão” que não representava 0,1% da população da Gafanha, “estabeleceu” os limites de freguesia contra a vontade da CMI e da JF da Gafanha da Nazaré. Mas que força tão estranha é esta, que suplanta o poder legalmente instituído?!

7) Com vista a tentar oficializar esta nova delimitação, sem o conhecimento da nossa Junta de Freguesia, diz-se que as ilegalidades atingiram tal proporção que “mão invisível” teve a desfaçatez de, numa data que deve situar-se entre 1981 e 1983, alterar o traçado existente nas cartas topográficas à guarda dos antigos Serviços Geográficos Cadastrais (hoje IGP). Esta ilegalidade, provavelmente cometida por um funcionário desses antigos Serviços, contratado ou integrado no tal grupo de gente de mau porte há pouco mencionada, em conluio com alguém pertencente aos quadros da Comissão do Poder Local e Administração Interna da Assembleia da República, efectuou tais ilegalidades só possíveis através de uma teia muito bem montada. Estas movimentações redundariam, sempre, em benefício de outras freguesias, com o oportuno “milagre” de toda a documentação anterior, referente a este processo, ter desaparecido do Instituto Geográfico Português!!! Dele, segundo informação do director do IGP, nem um simples papel lá se encontra! Estes deploráveis actos deveriam ter sido averiguados pela polícia e os seus autores exemplarmente punidos com o cárcere.

8) A partir de certa altura, contra o que seria admissível esperar, a CMI aceitou este fraudulento traçado de limites! E tanto assim teria sido, que no estudo do PDM de 1991, e no DR n.º 20, II Série de 24/01/1996, pág. 1.218, lá aparecem os limites estudados no Gabinete de Urbanização da CMI em 1981.
Mas mais uma vez estes limites não passam de letra morta, por não terem passado pela Assembleia da República, nem pela Junta nem pela Assembleia de Freguesia da Gafanha da Nazaré!!! Pergunta-se: que rigor há nos Censos efectuados desde 1981, se as freguesias do concelho de Ílhavo não são oficialmente reconhecidas?! Que pensam os nossos autarcas de tudo isto, ao alimentar uma tramóia perpetrada há 30 anos por indivíduos sem escrúpulos?! Para a consciência humana uma fraude não prescreve com o tempo...é sempre fraude até ao infinito, e, pior ainda, se é alimentada por pessoas que já sabem o que ocorreu anteriormente...

9) Os limites da nossa freguesia, postados nas cartas do Instituto Geográfico Português, resultam dos Censos de 2001 (!!!) por até aí nada de oficial existir relativamente a isso. Mas também estes, por não terem passado pela Junta e Assembleia de Freguesia da Gafanha da Nazaré, não puderam ser validados pela Assembleia da República, o que mais uma vez os inviabiliza! Segundo o IGP, são limites provisórios. E assim, alimentando-se uma fraude, a Junta de Freguesia de S. Salvador recebe mais da autarquia do que as outras três freguesias do concelho juntas!!!
 
Por tudo o que acaba de ser dito, só resta aos Presidentes das Juntas de Freguesia do concelho de Ílhavo sentarem-se em redor da mesma mesa e negociarem os limites das terras para as quais foram eleitos, mas nunca nas costas da população, como até aqui tem acontecido.

Seguiu-se um debate entre os presentes, no qual se inscreveram 27 pessoas, que durou hora e meia.

Foi também com agrado que vimos na plateia a Presidente da Assembleia de Freguesia, Margarida Ferraz Alves, que manifestou a sua opinião relativamente a este assunto, integrando-se neste movimento de apoio à Gafanha da Nazaré.

16 de julho de 2012

LIMITES DA FREGUESIA DA GAFANHA DA NAZARÉ

Razões da Nossa Indignação
 
Como sabemos, a freguesia da Gafanha foi criada por Decreto Real de 23 de Junho de 1910. Interpretando à letra o referido Decreto, a freguesia acabada de criar englobava toda a península da Gafanha até ao limite do concelho de Vagos! Por essa razão, o Governador Civil de Aveiro mandou proceder à delimitação da nova freguesia da Gafanha, então designada por Cale da Vila ou de Nª Srª da Nazaré, o que é prova insufismável da existência e da veracidade do Auto de Delimitação de 1 de Maio de 1911, que alguns teimam em desmentir ou ocultar.

Aquando da criação da Colónia Agrícola da Gafanha pelo Decreto-Lei 27207 de 16/11/1936, esta ficou localizada em área das freguesias da Gafanha da Nazaré (a parte mais significativa e com maior número de fogos), da Gafanha da Encarnação e Gafanha de Aquém (S. Salvador).

Até 10 de Dezembro de 1956, o culto da capela de Stº Isidro, padroeiro dos agricultores (hoje Srª dos Campos), esteve a cargo da paróquia da Gafanha da Nazaré. Só nessa data, por iniciativa do Bispo da Diocese de Aveiro, foi celebrado um "acordo de cavalheiros", a que chamaram Decreto, entre os párocos das três paróquias envolvidas (Nazaré, Encarnação e Ilhavo), que terminava assim: "(...) a Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré, como se encontra constituída, ficará pertencendo, desta data em diante, à freguesia de Ilhavo" – como sabemos esta freguesia não existe(!) – por ser aquela que tinha mais padres disponíveis. Foi este acordo que levou os Ilhavos a considerarem-se donos da Colónia, como se esse acordo entre membros da Igreja fizesse lei, como lhes convém!
 
Vários documentos complementares, comprovam a força da nossa razão, a saber:

- Uma escritura pública lavrada em 23/02/1939, na Secretaria Notarial de Aveiro, refere que uma propriedade situada junto ao aqueduto da vala por onde esgotava a fábrica Paolo Cocco, se encontra registada na CRP, em Remelha da freguesia da Gafanha da Nazaré (se a formos agora pedir, é-nos fornecida como de pertencesse à freguesia de S. Salvador!);
    
- O Ministério da Agricultura refere no Alvará de Cedência dos terrenos do Complexo Desportivo em 1976, como sendo uma parcela situada no Centro de Colonização da Gafanha, na freguesia da Gafanha da Nazaré; 

- Outra escritura pública lavrada no 1º Cartório da Secretaria Notarial de Aveiro, em 29/04/1981, refere o Casal 39 (confinante a poente com Schoenstatt), como freguesia da Gafanha da Nazaré; 

- A Escola primária da Colónia Agrícola, aquando da sua criação, integrou a rede de escolas da Gafanha da Nazaré. Era assim que aparecia nos concursos para professores; 

- A GNR sempre foi designada oficialmente por Guarda Nacional Republicana da Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré; 

- Vários outros documentos oficiais, mencionam a Colónia Agrícola da Gafanha ou da Gafanha da Nazaré.

Relativamente à BARRA:     

- Em 1949, procedeu-de à Delimitação da Quinta da Barra pelo norte e nascente. Tratava-se de uma propriedade indivisa da firma Azevedo & Rocha, Lda, sita na freguesia da Gafanha conforme escritura de posse, lavrada em 1860 e que se estendia a partir de 50 m do actual paredão da Meia-Laranja, pela poligonal da ria a nascente, até convergir com a curva da EN 109/7, nas proximidades da actual Biarritz! Quem não se lembra da chamada Quinta do Quintino, actual Parque de Campismo da Barra?... 
Essa quinta foi a última parcela da Quinta da Barra!
 
Este arrazoado foi o resultado de uma pesquisa exaustiva a cópias dos vários documentos que tenho em meu poder.
 
 
Um povo que não conhece a sua história,
é um povo sem futuro!...

Gafanha da Nazaré, 16 de Julho de 2012

Armando Cravo

13 de julho de 2012

Limites de Freguesia - sessão de esclarecimento

Caro concidadão:

No próximo dia 18 de Julho, quarta-feira, vai realizar-se, pelas 21H00, no Salão Nobre da Junta de Freguesia, uma sessão de esclarecimento para dar a conhecer a versão da ADIG relativamente aos “Limites de Freguesia da Gafanha da Nazaré”.

Nesta sessão de esclarecimento será feita a comparação entre os limites estabelecidos pelo “Auto de Delimitação” da freguesia, em 1911, e os que a CMI vem usando, por sua iniciativa, nos censos de 1981 a 2011, sem qualquer acordo com as freguesias e homologação pela Assembleia da República.

Como é óbvio, a ADIG defende como acto de maior justiça para a Gafanha da Nazaré a atribuição das delimitações iniciais. Por esse motivo, convidamo-lo a comparecer nesta palestra, onde, para além de se inteirar da situação actual, poderá manifestar a sua opinião no sentido de se encontrar a melhor solução para este problema, que já se arrasta há 42 anos!!!

Aceite os meus cumprimentos, em nome da ADIG.

Júlio Cirino

30 de maio de 2012

Actividades da ADIG nos últimos tempos

Gostaríamos de dar a conhecer aos nossos associados e simpatizantes o desempenho da ADIG nos últimos tempos. O nosso trabalho incidiu mais sobre os seguintes pontos:

Dia Mundial da Poesia - Decorreu com grande brilho, a 21 de Março, no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré, se tivermos em conta o número de espectadores, as felicitações dadas pessoalmente no final do espectáculo e pelo correio electrónico recebido, estimulando-nos a continuar.

Concurso "Um Hino à Gafanha da Nazaré" - Está a chegar ao fim. Já recebemos músicas para a letra escolhida pelo júri constituído por membros da ADIG, da CMI e da Junta de Freguesia.

Limites de Freguesia - depois de termos contactado várias entidades oficiais, viemos a saber que os limites de freguesia da Gafanha da Nazaré, postos nas cartas do Instituto Geográfico Português, advêm dos Censos de 2001! Até aí nunca houve demarcação oficial de qualquer freguesia do concelho de Ílhavo!!! E, para nós, continua a não haver, uma vez que, por não terem passado pela Assembleia de Freguesia da Gafanha da Nazaré, para aprovação, muito menos poderiam ser validados pela Assembleia da República. Agora sá resta aos Presidentes da Junta do concelho discutirem seriamente este assunto, partindo da "estaca zero". 

APA - Enviámos dois ofícios ao Porto Comercial, manifestando o nosso mal-estar pela poluição que produzem. Só responderam ao primeiro. Mesmo depois de reformularmos o pedido, continuou a não haver resposta! Assim sendo, e porque nos continuamos a sentir incomodados pelas poeiras que nos entram sem convite em casa, vamos oficiar as instituições superiores manifestando-lhes  mais uma vez o nosso descontentamento.

"Semana da Cidade em Festa" - em vão tentámos comemorar a subida da Gafanha da Nazaré a cidade, por a Autarquia não nos ter permitido realizar o que pretendíamos.

Ficamos abertos a qualquer sugestão que nos permita avançar mais e melhor, ao mesmo tempo que recomendamos a consulta do nosso blog, através do qual se poderá acompanhar a par e passo o nosso dia-a-dia.

Com os nossos melhores  cumprimentos

Júlio Cirino

29 de maio de 2012

ADIG - canal no YouTube

A ADIG, num esforço para fazer chegar mais informação à população da Gafanha da Nazaré, criou um canal no YouTube.
Quando se entra no site do canal, aparece de imediato o vídeo em destaque, com uma imagem semelhante àquela que agora enviamos.
 
Para subscrever o canal, clicar no botão com a seta indica ---> SUBSCREVER. Após esta operação, sempre que a ADIG publicar um vídeo, receberá na sua caixa de correio electrónico um e-mail avisando-o que existe nova informação a aguardar a sua consulta. Muito cómodo e "ao alcance de um simples clique".
Pede-se o favor que esta informação seja divulgada pela população da Gafanha da Nazaré, quer na página do facebook ou simplesmente reenviando a notícia por e-mail. Vai valer a pena...
Para aceder ao canal clicar aqui --> http://www.youtube.com/user/adigcanal?feature=results_main


22 de maio de 2012

A ADIG FOI À ESCOLA

A ADIG foi à Escola da Chave. Manhã diferente, chilreada, entrecortada pela admoestação das professoras.

Convidámos para esta acção o Manuel Serafim, que mostrou como se constrói um papagaio, como se faz uma bola de trapo, como se joga à malha, ao pião, aos calarotes, à macaca, etc.

A aderência da pequenada foi total. 

Por tal motivo, a ADIG está à disposição de outras escolas e instituições da nossa cidade ou de quem entenda solicitar os nossos préstimos.

18 de maio de 2012

GAFANHA DA NAZARÉ: Sala de Visitas do Concelho Ílhavo

Sob a égide da Federação Portuguesa de Triatlo, realizou-se, no dia 13 de Maio, no Jardim Oudinot da Gafanha da Nazaré, o Campeonato Nacional de Clubes de Aquatlo (natação + corrida) e o Campeonato Nacional Jovem. Mais uma vez algumas equipas andaram por Ílhavo à procura de uma prova que se realizava na nossa cidade! Os autarcas ilhavenses, ao escamotear o nome da Gafanha da Nazaré, além de desrespeitarem a memória daqueles que tiveram a ousadia de desbravar estas terras, continuam a pregar partidas aos forasteiros. 

Alguns concorrentes com quem tivemos a oportunidade de privar, vieram para aqui convencidos que a prova estava a decorrer na cidade de Ílhavo!!! Começando pelo nome do evento – Aquatlo Ílhavo – acabando no palco para a distribuição dos prémios, tudo estava preparado para iludir os visitantes! 

Que interesses levam a CMI a agir desta maneira? Será que lhes custa admitir que a Gafanha da Nazaré é umas das principais salas de visita do concelho de Ílhavo?!

Perguntamos: quando é que a Junta de Freguesia da nossa cidade se liberta da castração que lhe foi imposta, e faz valer os seus direitos, exigindo que o nome da nossa cidade seja mencionado em todos os eventos que por aqui se realizem? Não se trata de retirar o nome de Ílhavo, sede de concelho, mas sim acrescentar o nome da nossa cidade. Senhor Presidente da Junta: basta colocar mais uma tarja. Se o fizer contará com o apoio de todos os gafanhões...



15 de maio de 2012

SENTADO NO MEU SOFÁ


Sentado no meu sofá estou a lembrar-me do centenário da criação da freguesia da Gafanha da Nazaré. Isto trouxe-me à ideia artigos que escrevi chamando a atenção para os limites da freguesia. Ao comemorarmos esta data, não podemos deixar de pensar e homenagear os Homens desta terra que participaram com as autoridades administrativas na delimitação da freguesia; mas que tipo de homenagem poderemos nós prestar se menosprezámos aquilo por que lutaram, acreditaram e concretizaram?
Todavia, já se homenageou o Sr. Prior Sardo, o qual, na sua qualidade de pároco da freguesia da Gafanha, juntamente com os senhores Samuel Tavares Maia, administrador do concelho de Ílhavo, Augusto do Carmo Cardoso Figueira, escrivão, P.e Manuel Branco de Lemos, pároco da freguesia de Ílhavo, Eduardo Craveiro presidente da comissão municipal administrativa, José Ferreira de Oliveira presidente da comissão paroquial da Gafanha e João dos Santos Patoilo, presidente da comissão da freguesia de Ílhavo, delimitaram a recém criada freguesia em cumprimento do ofício n.º 430 de 12 de Abril de 1911 do Excelentíssimo Governador Civil.
Os limites ficaram bem claros e nunca ofereceram qualquer dúvida a quem quer que fosse, e nunca foram postos em causa, desde as freguesias limítrofes (as directamente interessadas), às autoridades concelhias, distritais ou mesmo nacionais.
Porém, numa cambalhota que ninguém entendeu, os limites foram adulterados com grande prejuízo para a freguesia que viu a sua área drasticamente reduzida, sem que houvesse qualquer atitude de repúdio por tal vandalismo pelas autoridades locais, por pura subserviência partidária, pois que tal acção não poderia ser acatada se razões “mais altas” se não se tivessem levantado: PURO SERVILISMO POLÍTICO e o mais completo desrespeito pelos cidadãos que deram o seu voto de confiança a quem os representasse, passando com todo o despudor por cima do que havia sido determinado pelos respeitáveis cidadãos que nas funções que desempenhavam, foram encarregados te tal demarcação.
Será, que lá no assento etéreo onde repousam, ficarão satisfeitos com esta pretensa homenagem que deveria ser de gratidão e reconhecimento pelo trabalho realizado?
E é com amargura que constato que as coisas se irão manter tal como estão, pois o bairrismo e o amor pela terra que nos viu nascer, ou nos adoptou e nos tratou como se seus filhos naturais fôssemos, de há muito que se perdeu. Todavia, tenho esperança que um dia a história julgue e justiça seja feita. A impunidade não pode ser eterna. Sempre ouvi dizer que “ a justiça pode tardar, mas não falha”. Oxalá assim seja.
Veio-me à mão um tríptico – “Gafanha da Nazaré 100 Anos / 1910-2010” –, sobre as comemorações que na última página têm um lapso que urge emendar se querem ser realistas e objectivos: onde referem no último parágrafo ”... continuando a Gafanha da Nazaré a crescer até aos dias de hoje, para bem das suas gentes e, também, de todo o Município de Ílhavo” deverá ser corrigido para “... começando a Gafanha da Nazaré a DIMINUIR até aos dias de hoje, não para bem das suas gentes, mas da freguesia que constitui a sede do Município” e assim retratariam a actual situação.

Manuel Óscar da Rocha Fernandes







12 de maio de 2012

Impôe-se questionar o que será qualidade vida

A Gafanha está a pagar um preço elevado pelo desenvolvimento da região ou, posto doutra forma, a dar um tiro no próprio pé. Note-se que sou apologista do desenvolvimento e modernização mas, sempre feito dum modo sustentável e com respeito pelo passado cultural dum povo e sem pôr em causa o balanço dos eco-sistemas envolventes. Contrapartidas para a Gafanha, que deveriam existir (Alindamento da cidade com locais ajardinados e propícios ao lazer da população, saneamento, requalificação de vias tendo em conta a segurança de peões e ciclistas, etc.) não se vislubram. Cenário que faz lembrar, por análogo, as poluídas Seixal e Barreiro de fins séc XX em proveito da Região de Lisboa. Aqui, no nosso caso, as mais beneficiadas a serem Ílhavo e Aveiro. Sem alguma conotação partidária, relembro o Dr. Humberto Rocha, um dos poucos, na altura, a levantar a voz contra a destruição do Esteiro Oudinot com o seu adjacente jardim que, do Forte até à Ponte do Egas, poderiam servir duma barreira natural aos agravos provenientes duma estrutura como o Porto Comercial. Num futuro próximo protecção, também, da "Besta" de Indústria Pesada e altamente poluidora que se irá instalar nos terrenos onde hoje está o areal (já) de má memória.
Impôe-se questionar o que será qualidade vida. Apenas ter em conta o factor económico e desvalorizar de todo a necessidade dum ambiente sadio e propício à vivência do ser humano? Talvez que a virtude esteja no balanço dessas duas componentes...Assim haja discernimento na população da Gafanha para lutar pelo seu bem estar e que o futuro encerre para a liderança da Câmara Municipal de Ílhavo gente Honesta e de Carácter Altruista que ouça os seus munícipes e nao se esgote em devaneios efémeres e inconsequentes.

Valter Magueta

9 de maio de 2012

O ano em que o meu pai nasceu


João Maria Marçal (1912-1988)

Quando o meu pai nasceu a terra onde viu pela primeira vez a luz do dia era freguesia havia menos de dois anos. Já muito tinha crescido o que a levou a esse facto. Não foi em vão todo o trabalho dos seus antepassados (Rochas, Patas, Varetas, Rodrigues e Marçais) e outras famílias como a dele que aqui labutaram criando a Gafanha da Nazaré.
 
Não havia electricidade e as estradas eram poucas e ensaibradas: a primeira a ser construída atravessava a Gafanha da Nazaré desde próximo dos Estaleiros Navais até à Barra. Fazia parte do plano de ligação de Aveiro à Costa Nova. A segunda ligava a Gafanha de Aquém à Chave e era muito recente. O resto eram caminhos de carroça que em alguns casos funcionavam como valas em épocas de muita chuva. Estradas florestais, nem vê-las. No entanto já se zelava pela floresta onde foram empregues muitos gafanhões no plantio de pinhal e abertura e manutenção de valas de escoamento da água da chuva.

Os trabalhos resumiam-se à Agricultura. Pesca do Bacalhau. Salinas e Construção Naval. No entanto havia progresso em curso o que espantava muita gente pela má qualidade agrícola dos terrenos à partida.

Foi inaugurada a nova Igreja Matriz da Gafanha da Nazaré, implantada no meio da freguesia apesar de não ser aí a área mais povoada.

Em Aveiro, no Convento de Jesus é criado o Museu de Aveiro por portaria de 7 de Junho.

Neste ano (1912), Portugal participou pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Verão em Estocolmo, ficando com a triste recordação da morte do maratonista José Lázaro por desidratação.

Na Galiza um grupo de 200 monárquicos portugueses comandados por Paiva Couceiro continuava à espera de oportunidade para combater a república recentemente instalada no nosso país. Esta permanência estava a causar descontentamento em Espanha uma vez que a república havia sido aceite internacionalmente e exigia a deportação dos monárquicos.

Em Janeiro dão-se os primeiros conflitos grevistas no Alentejo onde a Cavalaria é mandada avançar contra os rurais de Beja daí resultando um morto e vários feridos. Seguiu-se a primeira grande greve geral de âmbito nacional.

Portugal estava então a braços com uma epidemia de tifo que alastrava sobretudo nos meios urbanos. O auge estendeu-se de Março a Maio.

Nasceu em Saint-Jean-de-Luz (França), Maria Adelaide de Bragança, infanta de Portugal e tia do actual Duque de Bragança. Chegou aos cem anos de idade.

Deu-se o naufrágio do transatlântico Titanic durante a sua viagem inaugural. Possuía 29 caldeiras de vapor, 2 máquinas a vapor alternativas e 1 turbina a vapor para movimentar 3 hélices que lhe conferiam uma velocidade de 23 nós. Na Gafanha da Nazaré e noutros portos do país continuavam a existir navios de propulsão só à vela.

Nasceu Werner von Braun responsável pelo desenvolvimento dos mísseis alemães usados na 2ª Grande Guerra e mais tarde já nos EU pelos foguetes espaciais entre os quais o Saturno V que permitiu a 1ª viagem tripulada à Lua em 1969.

Enfim, 1912 foi fértil em acontecimentos, mas para mim o mais importante foi o nascimento do meu pai em 7 de Maio, uma terça-feira.

João Marçal

7 de maio de 2012

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO DA GAFANHA DA NAZARÉ

Caros Concidadãos:

Através de informações fornecidas pelo Instituto Geográfico Português (IGP), tudo leva a crer que a Gafanha da Nazaré não tem limites de freguesia oficialmente aprovados!!! Por isso é que, desde há décadas, a Câmara Municipal de Ílhavo (CMI) nos tem podido fazer tantas traquinices. Certos políticos da CMI, em vez de defenderem o nosso território, como lhes competia, avançaram por aí adiante, como no tempo de D. Afonso Henriques na reconquista de terra aos sarracenos?! Com uma diferença: enquanto o primeiro rei de Portugal lutava de espada em riste, à frente das nossas tropas, alguns dos autarcas ilhavenses do passado agiram como toupeiras, de forma sub-reptícia e por má-fé. Para o seu modo de pensar, estávamos a crescer depressa de mais.
Sobre a triste história dos limites da nossa freguesia, podemos dizer o seguinte:

1) O Auto de Delimitação, de 1911, lavrado pela CMI, fixou os limites da Gafanha da Nazaré pela Rua do Portão Velho, na Gafanha de Aquém – “segundo aqueduto da estrada de Ílhavo à Gafanha”. Porém, a autarquia, cremos que por esquecimento, não fez seguir o documento para aprovação e posterior publicação no Diário do Governo. Estava aberta a porta aos problemas...

2) Em 1969, quando da subida da Gafanha da Nazaré a vila, a CMI propôs uma alteração de limites, do seguinte modo: a Nascente passariam para a rotunda da SIMRIA e, do lado Poente, transitariam do palheiro de José Estêvão para um pouco antes da curva da Biarritz. Este facto foi ocultado dos membros da Junta de Freguesia, e só viria a ser conhecido através de um mapa enviado, em 1970, à “Cooperativa Eléctrica da Gafanha”. Por mais ofícios que a Junta de Freguesia enviasse à CMI para esclarecer este assunto, os autarcas nunca responderam!!! A verdade só seria conhecida, por acaso, em 1979, quando os membros da Junta de Freguesia tiveram que se deslocar ao Governo Civil de Aveiro para tratar de outro assunto.
Mas está bem de ver que, sem a assinatura dos membros da nossa Junta de Freguesia, os limites também não puderam ser validados.

3) Em 1981, a CMI elabora, no seu Gabinete de Urbanização, uma carta (CMI GU 810407 AM – DT 57) com novas delimitações, tencionando trazer os limites da Gafanha da Nazaré, na Remêlha, para o local onde até Janeiro de 2011 esteve uma placa esverdeada, do BPA, com os seguintes dizeres: “Bem-Vindos à Gafanha da Nazaré”. Entre a Barra e a Costa Nova, os limites transitariam da curva da Biarritz para próximo do Banco Montepio, da Barra!!!

4) Ainda em 1981, um grupo de falsários, autodenominados “Comissão de Colonos e Moradores da Colónia Agrícola da Gafanha”, fez seguir para o Governo Civil um ofício, pedindo a revisão de limites da freguesia! Como é que uma “comissão”, que não representava 1% da população da Gafanha, teve força suficiente para tratar de um assunto desta envergadura, ainda por cima assinada pelo “regedor” – cargo extinto por lei desde 1974?! Talvez por isso tenha ficado no Governo Civil algum tempo, seguindo para a Assembleia da República em Março de 1983, cremos que só depois de preparada uma tramóia algo sofisticada que passaremos a dar a conhecer daqui a pouco.
E tanto foi como dissemos, que a CMI, “vendo-se ultrapassada” por uma “instituição” que não tinha legitimidade para tomar tal iniciativa, fez seguir para o Ministério da Administração Interna o ofício n.º20/83, de 22 de Março, solicitando informação sobre o conteúdo da carta emitida pela tal “comissão de moradores”. O mesmo fez a Junta de Freguesia da Gafanha da Nazaré, através do ofício n.º520, de 7 de Dez. de 1983. Não houve resposta...

5) Com vista a tentar oficializar esta nova delimitação, sem o conhecimento da nossa Junta de Freguesia, diz-se que as ilegalidades atingiram tal proporção que “mão invisível” teve a desfaçatez de, numa data que deve situar-se entre 1983 e 1991, alterar o traçado existente nas cartas topográficas à guarda do IGP!!!
Esta ilegalidade, provavelmente cometida por um funcionário dos antigos Serviços Geográficos Cadastrais, contratado ou integrado no tal grupo de gente de mau porte, em conluio com alguém pertencente aos quadros da Comissão do Poder Local e Administração Interna da Assembleia da República, efectuou tais ilegalidades só possíveis através de uma teia muito bem montada. Estas movimentações redundariam, sempre, em benefício de outras freguesias, com o oportuno “milagre” de toda a documentação anterior, referente a este processo, ter desaparecido do Instituto Geográfico Português!!! Dele, segundo informação do director do IGP (ref. n.º2.260, de 14/11/2003), nem um simples papel lá se encontra! Só isto era merecedor de um rigoroso inquérito. Mas nada aconteceu. Não contentes com as irregularidades cometidas, os tais falsários fizeram desaparecer, também, certos documentos do Governo Civil de Aveiro e, por duas vezes, da Assembleia da República! Estes actos são comprovados por um ofício de 4 folhas, emitido pela Câmara Municipal de Ílhavo, datado de 5 de Março de 1985, relacionado com o “Desdobramento da Repartição de Finanças do Concelho de Ílhavo”. É por isso que ousamos alvitrar: há muito estes deploráveis actos deveriam ter sido averiguados pela polícia e os seus autores exemplarmente punidos com o cárcere.

6) A partir de certa altura, contra o que seria admissível esperar, a CMI aceitou este fraudulento traçado de limites! Pelo que se vê, o crime engendrado a soldo de gato escondido com rabo de fora, compensa, e bem, certos interesses. E tanto assim teria sido, que no estudo do PDM de 1991, e no DR n.º 20, II Série de 24/01/1996, pág. 1.218, lá aparecem os limites estudados no Gabinete de Urbanização da CMI em 1981, que, em abono da verdade, contêm incorrecções que deveriam fazer corar de vergonha quem as promoveu. Mas, como anteriormente, estes limites também não passam de letra morta, por mais uma vez não terem passado pela Assembleia da República, com posterior publicação no DR!!! Pergunta-se: que rigor há nos Censos efectuados desde 1981, se as freguesias do concelho de Ílhavo não estão oficialmente delimitadas? Por isso os nossos autarcas fogem a sete pés, como o Diabo foge da cruz, quando os interpelamos acerca dos limites da nossa freguesia.

7) Depois de muito trabalho, e apesar do boicote de certas pessoas e instituições em nos fornecer os dados que solicitámos, descobrimos que os limites da nossa freguesia resultam dos Censos de 2001 (então não seriam os Censos que deveriam advir dos limites da freguesia?!). Mas também estes novos limites, por não terem passado pela Assembleia de Freguesia da Gafanha da Nazaré, não puderam ser validados pela Assembleia da República!!! E anda esta gente, bem falante, comprometida com a sua consciência, a incomodar com o ruído do seu mutismo cidadãos honrados que o único pecado que cometem é pretender repor os limites tidos como correctos pelos autarcas de então, que mais não fizeram que aceitar aquilo que os habitantes das várias freguesias do concelho já tinham consagrado com a posse das terras que desbravaram. Quanto mais não fosse, por respeito à sua memória. Agora pretenderem-nos cortar, relativamente a 1911, uma fatia de 2Km nos limites a Sul da freguesia, é obra!

Resumindo: por tudo o que acaba de ser dito, só resta aos Presidentes das Juntas de Freguesia do concelho de Ílhavo sentarem-se em redor da mesma mesa e negociarem os limites das terras para as quais foram eleitos, mas nunca nas costas da população, como até aqui.